A Presidente Dilma instalou a COMISSÃO
NACIONAL DA VERDADE, no intuito de apurar violações aos Direitos Humanos,
perpetradas por agentes do Estado, no período compreendido entre 1946 e 1988.
Não vou me deter
em tecer comentários ou análise sobre o tema e a iniciativa presidencial, já
que este tem sido objeto de estudos e críticas pelos diversos segmentos da
sociedade brasileira.
Mas o evento
leva-me à reflexão de que estamos tendo oportunidade rara de passarmos o Brasil
a limpo.
Neste domingo, o
jornal de Brasília, Correio Braziliense, publicou material sobre o histórico e
militância política da Presidente DILMA, bem como detalhes de sua prisão e
torturas sofridas no cativeiro. DILMA não foi caso isolado, sequer foi o pior
ou o mais ignominioso. Infelizmente, em nome de ideologias, muitos crimes foram
cometidos, muitos psicopatas de todos os matizes e de ambos os lados, deram
vazão aos seus instintos sádicos.
No quesito
insanidade se equivaleram, tantos os que lutavam por suas ideias,
contrapondo-se ao regime da época, quanto os agentes da repressão, incumbidos
de dar-lhes combate. Idealistas, messiânicos, ou meros doentes, houveram de
ambos os lados.
Dizem que a
história sempre é contada pelos vencedores.
No caso
brasileiro, ao que parece, este axioma não corresponde. Pois, se inicialmente,
os que diziam combater a iniciativa de implantação do comunismo, levaram a
melhor, obstaculizando os intentos dos “subversivos”, posteriormente estes
mesmos, perseguidos, presos e torturados, chegaram ao Poder. E, suprema ironia,
destituídos da ideologia mater, do Socialismo, depois da
derrocada da União Soviética e do desmascaramento dos regimes similares. E a
história recente brasileira sempre foi contada, pelos simpatizantes ou
militantes do grupo derrotado pelas armas e vitorioso, posteriormente, nas
urnas.
Não é meu intuito
partir para o debate ideológico, mesmo porque tenho senso crítico, de que não
sou qualificado para tanto. Meu objetivo é gerar reflexão sobre os rumos que a
Sociedade Brasileira está tomando e incentivar “o Bom Combate”.
Primeiramente,
digo sem titubear, como cidadão, de que a Presidente DILMA, tem a
oportunidade de fazer a GRANDE ESCOLHA.
Nossa existência é
determinada pelas escolhas que fazemos. A
Presidente está a escolher entre uma Grande Estadista, que coroará sua
trajetória de técnica e passará a História do Panteão dos Heróis Nacionais ou
ficará reduzida ao pequeno papel de Mamma do PAC!
Se incentivar
somente um acerto de contas ideológico com a história recente do país, buscando
os CURIÓS ou ULSTRAs, da vida, e ignorar o descalabro do profundo desrespeito
aos Direitos Humanos e aviltamento da nossa Soberania, por seu governo e apaniguados,
estará jogando-se na lata de lixo da História.
Não quero
desprezar o sofrimento daqueles que passaram pelos calabouços brasileiros, ou
pelos vitimados pelos asseclas do regime militar. Sequer peço o esquecimento de
seus familiares, nem tão pouco, que se coloquem debaixo do tapete, fatos
importantes da história do país, para que possamos melhor nos conhecer,
entender e nos posicionarmos no cenário das nações ditas civilizadas.
O que pretendo é
que se dê a mesma importância dos descalabros de ontem aos descalabros de hoje.
A verdade é Sempiterna. Os Valores da Nacionalidade não são tangidos
ao sabor dos ventos ou pelas veleidades de iluminados condutores da
Pátria.
Maldade é maldade. Mentira é mentira.
Corrupção é corrupção, ontem, hoje e sempre.
Por isso, entendo que se,
oportunisticamente, buscarmos somente um acerto de contas com meia dúzia de
velhos, intentando tirar o foco do caos que vivenciamos e estigmatizar
este ou aquele estamento, estaremos dando um tiro no pé, procrastinando as
soluções que a situação exige; pois mesmo que seja difícil e complexo, é
urgente o combate aos Malfeitos e Malfeitores de Hoje. Gente que acumpliciada
ao poder nos joga na sarjeta da História, num descalabro moral, ético e social,
nunca dantes visto neste país.
Ufanamos-nos de
estarmos a construir a sexta economia mundial. Pretendemos assento no Conselho
de Segurança da ONU e em nome de uma pretensa governabilidade, destruímos
todos os valores de uma Nacionalidade. Arrebentamos com a Ética e a Moral.
Prostituímos todo um povo, comprometemos nosso porvir. Nossas zelites corrompem
nossos jovens com seu mau exemplo; nossos líderes políticos, religiosos e
intelectuais, deseducam os jovens, sendo secundados neste mister pelos órgãos
de comunicação e por uma mídia
doente, cujos valores centram no culto a MAMON e EROS. Neste contexto, drenando
as energias de um povo para a Economia, para a produção e o consumismo
desenfreado, amarfanhando a Alma Nacional.
Amanhã, se não houver correção de rota, se não abandonarmos a conveniente
omissão, seremos um País rico com um Povo escravo!
Destinado pelo primeiro mundo
ao papel de fornecedor de alimentos e commodities seremos o
dócil leitãozinho cevado para ser degustado, futuramente, no banquete das
nações ricas.
Um povo fraco e
sem valores e elites corruptas, jamais irão exercer nossa Soberania, jamais
irão contrapor-se aos apetites do Capital Internacional.
E isto não é
exercício de futurologia ou teoria conspirativa, basta ver entre nós os
“quinta-colunas”, infiltrados, defendendo os interesses de seus parceiros
externos; desde que seus apetites e veleidades sejam satisfeitos, que o Povo se
exploda!
Por isso, gostaria
de compartilhar reflexões minhas, fruto de vivência pessoal e da observação de
meus contemporâneos . Acredito que estou em condições de abordar o tema, pelo
meu passado, pelo meu presente, por minhas vivências e atitudes.
Quando a Presidente DILMA estava presa, ingressei no
Departamento de Polícia Federal. Morava em Florianópolis, cursava o quarto ano
de Direito, era professor em curso secundário e trabalhava na Secretaria da
Fazenda do Estado de Santa Catarina.
Cursei a Academia
Nacional de Polícia, em 1972. Fiz parte da primeira turma, concursada de Agente
de Polícia Federal. Éramos chamados pelos antigos de “Sangue Novo”. Eram de
minha turma o futuro diretor geral da Polícia Federal, VICENTE CHELOTTI, LAURO
NOGUEZ, AROLDO BOSCHETTI SOSTER e outros tantos.
Permaneci na
Polícia Federal até 1978, quando pedi exoneração. Na época era Agente, lotado
do DOPS – Delegacia de Ordem Política e Social, da Superintendência do DPF, em
Porto Alegre - Rio Grande do Sul.
Em 1973, exerci
minhas funções na Academia Nacional de Polícia em Brasília. Fui instrutor
auxiliar da cadeira de Investigações Criminais. Em 1974, após concurso seletivo
interno, fui recrutado para ser colocado à disposição do Ministério das
Relações Exteriores. O Itamaraty me designou como Agente de Segurança, para
nossa embaixada em Montevidéu, Uruguai.
Na época, agiam na
Argentina, os grupos armados ERP – Ejército Revolucionario Del Pueblo e os
Montoneros. No Uruguai, os Tupamaros.
Nossa missão, na
embaixada, restringia-se à Segurança da Chancelaria e eventualmente, às
atividades ligadas à contra-inteligência, além de ocasionais participações,
juntamente com a Polícia Uruguaia, na segurança do Embaixador.
Eu já tinha
visitado o Uruguai, anteriormente, na condição de guia de turismo. Na época,
encontrava-se em pichações nas ruas e nos banheiros de restaurantes, a estrela
tupamara e a inscrição “vivan los tupas!”. Em 74, já como agente brasileiro,
nos mesmos lugares, as inscrições mudaram: “mueran los tupas”!...
O que mudara?
Em seguida a minha
chegada à capital uruguaia, matriculei-me no curso de Psicologia, da Faculdade
de Filosofia, ligada à Universidad Católica de Chile. Na faculdade, estudei na
mesma sala com a filha do presidente uruguaio, JUAN MARIA BORDABERRY, grande
estancieiro e testa de ferro dos militares. Sua filha, JOSEFINA, ia para as aulas,
acompanhada de quatroguardaespaldas, os agentes de Segurança da Presidência. O
interessante, é que na mesma sala estudava comigo um padre, que, mas tarde vim,
a saber, era tupamaro.
Os demais alunos,
todos jovens, eram na sua maioria de esquerda, quando não militantes do
Movimento Tupamaro.
Como era o único
solteiro da embaixada e cursava faculdade, tive oportunidade de
entrosar-me bastante com a juventude. Então comecei a entender certas coisas.
Dentre elas, que o movimento tupamaro, essencialmente nacionalista em suas
origens, após certo tempo, recebeu ajuda internacional, de elementos cubanos,
chilenos, argentinos e até norte-coreanos. Gente que buscava a luta
internacional contra o capitalismo, contra os militares, os estancieiros, mas
que tinham pouco a haver com a alma uruguaia.
Se nos primórdios
do movimento guerrilheiro, os tupamaros empreendiam ações espetaculares, que
granjeavam o apoio popular, tais como o sequestro do presidente da UTE, empresa
de energia e telefonia, e divulgavam suas negociatas com a ITT, e tomavam
povoados como PANDO, fazendo a rádio local divulgar seu ideário e notícias,
após a vinda dos mercenários estrangeiros, começaram os atentados a
policiais que faziam ronda nas ruas, bombas em boates frequentadas por jovens da
classe média, enfim, começaram a granjear antipatia do afável povo uruguaio.
Mas realmente
meteram os pés pelas mãos, quando num assomo de coragem e burrice, encetaram
três sequestros, que vieram mudar o rumo das coisas: sequestraram o agente da
CIA, DAN MITRIONE, que já tinha estado no Brasil, mais precisamente, em BH, e o justiçaram.No
comunicado, diziam os tupas, que MITRIONE, fora morto porque ensinava torturas
aos órgãos de repressão uruguaios.
Em seguida
sequestraram o embaixador do Reino Unido, GEOFFREY JACKSON, que tempo depois
foi libertado, mediante pagamento de resgate. E, finalmente, sequestraram o
cônsul brasileiro em Montevidéu, ALOISIO DIAS GOMIDE. Este diplomata, que
conheci pessoalmente, não tinha nenhuma vinculação com o regime uruguaio, e
sequer era expoente de nossa representação diplomática no país. Foi escolhido,
por não ter nenhum aparato de segurança. Após longo cativeiro, também foi
solto, mediante resgate pago pelas autoridades brasileiras, e com fundos também
arrecadados por sua esposa em grande campanha televisiva no Brasil.
Estes três
sequestros, somados a virulência dos atentados, tiveram dois efeitos adversos
aos tupamaros: antipatia de parte da população e ajuda externa, com meios e
homens para o combate à guerrilha. Principalmente os Estados Unidos e o Brasil,
ajudaram no treinamento e fornecimento de meios às chamadas Fuerzas
Conjuntas, que eram constituídas por elementos das três armas militares e
polícia.
A maioria das
lideranças tupamaras, ou foram mortas, ou encarceradas no Presídio de Punta
Carretas, uma masmorra centenária e de péssima fama. Apesar das severas
condições de segurança, trinta e poucos tupamaros lograram fugir do Presídio
pela rede de esgoto, que desembocava na praia, próxima dali. Hoje este presídio
foi convertido num elegante shopping.
Neste ano de 1974,
o Movimento Tupamaro, aplastado pela repressão, reorganizou-se numa entidade
nova e desconhecida: UAL – Union Artiguista de Libertacion. Recomeçaram os
atentados a bombas.
Neste clima, ao
buscar um local para colocar meu cachorro, um pastor alemão, soube pelo dono de
uma parrilla, próxima a meu apartamento no bairro de Pocitos, que havia um
brasileiro, que distribuía produtos suínos e que tinha uma chácara perto de
Montevidéo.
Dias depois fui
apresentado ao brasileiro, um baiano, falador e simpático. Logo se colocou a
disposição para levar meu cachorro para sua chácara que ficava na localidade de
SOCA, municipalidade de PANDO.
Seu nome: ALFREDO
MAGALDI BRANDÃO.
Nem contei sobre
minhas funções na embaixada, e inicialmente, tão pouco ele, falou-me de seu
passado. Com o correr do tempo e mais de um quilo de sal
compartilhado, inteirei-me que era exilado, fora sargento da aeronáutica e
participara do levante dos sargentos em Brasília.
Brandão, contou-me
que estivera preso, em vários lugares, inclusive num navio e na Ilha das
Flores. Depois, de uma libertação provisória, asilara-se na embaixada do
Uruguai no Rio de Janeiro. Depois, a vinda para o Uruguai, onde fora recepcionado
por LEONEL BRIZOLA, que já estava lá, juntamente com JANGO e outros, há algum
tempo.
Junto com BRANDÃO
vieram outros militares, notadamente da aeronáutica e da marinha.
Brandão, que
trabalhara sete anos com Brizola, contou-me inúmeras histórias do mesmo.
Notava-se que tinha uma grande admiração pelo político, pelo estadista, mas
nutria profunda aversão pelo Homem Brizola. Considerava-o mesquinho, caudilho e
traiçoeiro com os amigos.
Brandão esteve em
Cuba e acompanhou Che Guevara, num encontro no balneário de Piriápolis, quando
houve o encontro do guerrilheiro argentino/cubano com Brizola. Quando Brizola
desistiu do caminho do retorno ao Brasil por meio de atividades armadas,
Brandão passou a administrar uma estância e um tambo (instalação
voltada à ordenha de gado leiteiro). Posteriormente, depois de um
desentendimento com Brizola, Brandão foi trabalhar num frigorífico,
distribuindo, produtos suínos e embutidos. Nesta fase que o conheci.
Por seu intermédio
conheci vários exilados. Nenhuma estrela. Somente alguns coitados que viviam à
míngua, por não terem nenhum vínculo com o PCU, o Partido comunista Uruguaio,
ou com esquemas brasileiros. Dentre eles me chamou a atenção, um marinheiro,
que no Brasil, não tinha nenhuma militância e que compareceu ao Comício do
Automóvel Clube. Teve notícia que os exilados recebiam uma ajuda da ONU, nos
primeiros tempos, e tomado pela falta de juízo e espírito de aventura, fez de
tudo para ser preso e posteriormente foi para o Uruguai. EmMontevidéu depois
de um tempo, ajudado pela família que ficara no Brasil, montou um pequeno
restaurante, EL SARGO, onde exilados brasileiros e esquerda local festiva
reunia-se.
Ao ver a agrura de
alguns, preparei um relatório, que encaminhei ao Brasil, através do adido
militar. Nele referia-me a fantasmas que o regime, mantinha no exílio, como
exemplo para os futuros candidatos à subversão.
Jamais tomei
alguma atitude movido por comprometimento ideológico, mesmo porque, estava em
situação privilegiada para observar a conduta dos dois lados da moeda. Somente
me movia o drama humano, que viviam várias famílias humildes, sem preparo
profissional, e ainda por cima, fora de seu país.
Tomei um esporro.
Mandaram-me ficar quieto, esquecer o assunto e afastar-me de BRANDÃO.
Quatro meses depois,
fui surpreendido, pela comunicação do DPF, que deveria voltar ao Brasil. Dias
antes tinha sido confirmada a prorrogação de meu serviço na embaixada, por mais
um ano.
Fora denunciado
por um “colega”, o qual colocou em sua missiva ao DPF. que eu estava colocando
em risco a embaixada.
Voltei a Brasília,
onde respondi sindicancia interna, a qual durou quase um ano. Neste período fui
afastado das funções policiais e colocado como arquivista no departamento do
Pessoal. Neste período, sofri tanto o estigma de perigoso, traidor, como
calúnias do tipo, ser instrutor de tortura no Uruguai, amante de Neusinha
Brizola, drogado e outras coisas mais.
Finalmente fui
inocentado, mas não me dei ao desfrute de pedir indenização do Governo, ou
reparação por danos morais.
Guardei no peito,
e cresci como homem. Amadureci sabedor de que as instituições, países, não tem
caráter, moral, ou são intrinsecamente bons ou maus. Homens, investidos de
cargos públicos é que dão a verdadeira dimensão de seu mister.
Em 78, pedi
exoneração, pois estava farto das mediocridades de uma Polícia que ao invés de
constituir-se no baluarte da cidadania e tornara-se guarda pretoriana do Poder.
Saí, graças a
Deus, sem esqueletos no armário, sem fantasmas a assombrar meu sono, sem nunca
utilizar minha carteira funcional como gazua ou uma arma para mostrar
virilidade.
Claro que conheci
e trabalhei com muita gente honesta, corajosa e vocacionada. Gente para quem
Polícia era Polícia e Bandido era Bandido!
Mas, via de regra,
os cordéis manipulavam marionetes, desde Brasília. Assim, lamentando deixar
para trás os sonhos de contribuir para a Segurança e Justiça, voltei para área
empresarial.
O mundo dá muitas
voltas, e anos após, instado por BRANDÃO, que já fora anistiado e trabalhava no
BANERJ, em Porto Alegre, e necessitando do apoio do então governador BRIZOLA
para tratamento médico de meu filho mais velho, acabei filiando-me ao PDT, na
cidade de Joinville, em Santa Catarina. Tempos depois, concorri ao cargo de
Prefeito daquela cidade. BRIZOLA apoiou-me, inclusive participando do Programa
eleitoral comigo.
Finalmente, quando
iniciou seu namoro com FERNANDO COLLOR por puro oportunismo, desfiliei-me do
partido e larguei a militância político-partidária.
Na primeira
campanha do LULA a presidente, aquela do LULA-LÁ, subi palanque, integrando a
Frente Brasil Popular. Votei no LULA, nas três primeiras eleições que ele
disputou para o cargo. Não era petista, mas sentia simpatia pelo ideário do
partido.
No segundo mandato
de FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, fui contratado para auditar a Segurança da ANP –
Agência Nacional do Petróleo, e implantar um programa de Segurança
Participativa.
Ao executar meu
trabalho deparei-me com verdadeiras barbaridades. Ação acintosa do crime
organizado no ramo do Petróleo, e suas injunções dentro da Agência.
Oportunamente vou
tratar deste assunto, que, ultimamente tem sido ignorado tanto pelo governo,
quanto pela mídia.
Quando LULA ganhou
as eleições, no primeiro turno de SERRA, fiz um relato a um amigo do presidente
eleito, o ex-deputado e advogado de inúmeros presos políticos, SIGMARINGA
SEIXAS. Este, na presença de duas testemunhas, impressionado com os dados que
lhe passei, disse que levaria o assunto diretamente ao presidente. E que eu
deveria fazer o mesmo com JOSE DIRCEU e LUIS GUSHINKEN, homens fortes do
partido, e que com LULA compunham aTROICA, do PT.
Pois bem, SIG,
como é chamado, relatou ao presidente eleito o assunto e eu repassei o
relatório para SWEDENGER BARBOSA, assessor de JOSE DIRCEU, na CASA CIVIL, para
que o entregasse ao Ministro. E, num voo para Campinas, entreguei, pessoalmente
para Ministro LUIS GUSHIKEN.
Quando IDELI
SALVATTI, foi eleita senadora, pelo estado de Santa Catarina, e como já a
conhecia de Joinville, entreguei-lhe o mesmo texto, na Assembleia Legislativa
do Estado, no dia em que estava arrumando suas coisas para mudar para Brasília.
Pois bem, ao que
eu saiba, nada foi feito para obstaculizar a ação do Crime Organizado no Setor.
O que foi feito, sim, foi o aparelhamento partidário da Agência, primeiro por
elementos do PC do B, e depois pelos companheiros.
Antes, esta
agência reguladora constituía-se num feudo de FHC, primeiramente gerido pelo
seu ex-genro, DAVID ZILBERSTAJN, e posteriormente por seu amigo, o embaixador
SEBASTIÃO DO RÊGO BARROS.
Não vou entrar
aqui num cotejamento das picaretagens e ilicitudes perpetradas, até chegarmos
no PRÉ-SAL, oportunamente volto ao assunto. O que queria me referir, é que a
partir dali, começou meu desencanto com o Grande Líder e seus seguidores.
Hoje, velho e
escaldado, estou seguro de que Ideologia é MERDA!
Assim como no
século passado, ficou aceita a ideia de que as religiões eram o ópio do Povo,
nos anos recentes este papel foi desempenhado pelas distintas ideologias, nos
mais diversos quadrantes do globo.
Estive na RUSSIA,
várias vezes, a partir do governo de YELTSIN, e tive oportunidade de privar da
amizade de inúmeros burocratas, cientistas, militares e homens de Inteligência,
formados e forjados no antigo regime soviético. Acompanhei a transformação de
hábitos e atitudes do povo russo. Vi a instalação dos primeiros Mc DONALD’s e
PIZZA HUT; vi o desfile de carrões conduzidos por mafiosos, e babuskas vendendo
meia dúzia de limões nas ruas ou no metrô. Vi soldados, fardados, embriagados
na Rua ARBAT e nas imediações do KREMLIN. Vi um povo que viveu setenta anos sob
o tacão da ideologia, aplastado por uma NOMENKLATURA abastada e corrupta, que
curtia suas datchas, balneários exclusivos, sedento por mudanças,
abeberar-se no que há de pior no capitalismo: o consumismo insano.
Estive em ANGOLA,
cujo regime socialista foi apoiado pelo regime militar brasileiro e vi pobreza
por todo lado, subdesenvolvimento rodeando ilhas de prosperidade gerenciadas
pela SONAGOL (Petróleo) e pela ENDIAMA (Diamantes), onde a família do líder do
MPLA, JOSE EDUARDO DOS SANTOS, socialista, apoiado pelos cubanos e russos,
construiu um império em sociedade com a multinacional brasileira ODEBRETCH.
Nesta quadra da
vida, chego à conclusão de que Ideologia não é garantia de BEM ESTAR, JUSTIÇA
SOCIAL, DIREITOS HUMANOS, de PAZ, de PROSPERIDADE.
As ideias, são
prostitutas, provam-no os SOFISTAS. E hoje, em nosso meio político, estes
abundam.
E de todos os
matizes, de distintas origens, diversos estratos. Observem o discurso de LULA,
COLLOR, AÉCIO NEVES, FERNANDO HENRIQUE e, com sinceridade e isenção, digam se
não são todos farinha do mesmo saco?
E sua conduta?
Nada mais igual do que um direitista na oposição quanto um esquerdista no
Poder!
Mas vamos ao que
interessa: nossa responsabilidade coletiva no sentido de impedirmos a hecatombe
social que se avizinha em nosso país.
A Presidente
DILMA, tem enorme responsabilidade nisto, mas todos os segmentos devem dar sua
contribuição.
Apesar do assistencialismo
do Estado, das diversas bolsas, dos inúmeros programas de inclusão
social, ainda temos resquícios de Belíndia, ainda temos pobreza
absoluta, analfabetismo, saúde e segurança caóticas, sistema carcerário
dantesco, polícias que ainda deixam a desejar, educação rarefeita e, o que é
pior: uma classe política abjeta.
Que as raras e
honrosas exceções, não se ofendam, mesmo porque, por inércia e omissão convivem
com o que há de pior em termos de representatividade política.
Morando em
Brasília, ao olhar as cúpulas do Congresso, volta e meia evoco a imagem bíblica
da destruição de SODOMA E GOMORRA. E fico a pensar, quanto ainda falta para que
o TODO PODEROSO, perca a paciência e tome uma atitude contra este de ninho de
mafagafos.
Ali tem mentira?
Tem. Tem perjúrio? Tem. Tem prostituição? Tem. Tem drogas? Tem. Tem quadrilhas
organizadas? Tem. Tem corrupção ativa e passiva? Tem. Existem ladrões,
falsários, estupradores, molestadores de crianças, homicidas, agiotas, rufiões,
prostitutas e prostitutos? SIM!
Mas o Congresso,
não é um câncer localizado. É o extrato da sociedade brasileira, esta que
estamos desconstruindo, diuturnamente, por ação ou omissão. E a
responsabilidade é de todos.
Ao assistir as
sessões da CPMI, do Cachoeira, senti vergonha de ser brasileiro, e lamentei ser
um velho cheio de obrigações ainda com a prole.
É repulsivo. Não
deveria passar ao vivo. Deveria ser indicado somente para as madrugadas, junto
aos programas hot ou com os missionários televisivos. Aos jovens
devia ser proibido. É imoral, ridículo e repugnante.
Ver MARCIO THOMAZ
BASTOS, com cara de vestal impoluta ao lado de CARLINHOS CACHOEIRA, tem gerado
muitos questionamentos no sentido de que ficou mal um ex-ministro da Justiça
estar advogando para um capo do crime organizado.
Estão equivocados:
THOMAZ BASTOS está no lugar certo, de consiglière, o rábula que assessora
e constitui-se no alter-ego do boss.
Não devia, sim,
nunca ter sido Ministro da Justiça. Mas para melhor sabermos do que estamos
falando, talvez devêssemos esclarecer uma dúvida antiga, para melhor
conhecermos o caráter deste senhor: porque MARCIO THOMAZ BASTOS indicou o
Delegado aposentado do DPF, PAULO LACERDA, para a direção geral da POLÍCIA
FEDERAL, sendo que este estava trabalhando há bastante tempo no gabinete
senador ROMEU TUMA? E quem conheceu TUMA, sabe do que estou falando.
Alguma vez, MARCIO
THOMAZ BASTOS foi advogado de algum processo cuja autoridade processante era
PAULO LACERDA? Donde afinidade, qual compromisso?
Estes
questionamentos podem parecer impertinência ou espírito de fofoca, mas mais
adiante vamos ver como procedem.
Ao ver ANTONIO
CARLOS DE OLIVEIRA CASTRO, o KAKAI, defendendo DEMÓSTHENES TORRES, e pedindo a
anulação das provas obtidas por interceptação telefônica, ou LUIS CARLOS
ALCOFORADO, defendendo AGNELO QUEIROZ e sua casinha, ao ver deputado,
extasiado, dizendo que AGNELO, entrou Anão e saiu um Gigante, da CPMI, ao ver
quase que todos os presentes aplaudirem entusiasticamente, e a mídia, incensar
que AGNELO “saiu-se bem na CPMI”, é inevitável lembrar-se do discurso de
CÍCERO, interpelando CATILINA:
O TEMPORA! O MORES
! ...
São tão
caras-de-pau, tão cínicos, que reduzem os questionamentos a estes sacripantas,
à aquisição de casas. Como se não houvesse os contratos com a DELTA, Goiás,
dentre eles 2.000 veículos para a Secretaria de Segurança.
Ou no caso do DF,
o beato AGNELO, “soldado do passo certo”, o eterno injustiçado, no Ministério
dos Esportes, na ANVISA, e agora no governo do DF, numa relação mau explicada
com soldado JOÃO DIAS, cuja conduta e patrimônio, merecem ampla investigação.
Como AGNELO
explica a saída de JOÃO MONTEIRO NETO, chefe do SMLU, assim que começou a
Operação Montecarlo?
Enfim, a OPERAÇÃO
MONTECARLO, veio colocar em cheque as intenções do governo, sua credibilidade,
a seriedade do Judiciário e a competência Policial. Da classe política, nada se
espera.
Por outro lado, o
iminente julgamento no STF, do MENSALÃO, vem por a prova, tanto os magistrados,
quanto o esquema de manipulação da JUSTIÇA, adequando-a aos interesses dos
poderosos e aos amigos do Rei.
Se houver,
independência, lisura, correção, transparência, então, são grandes as chances
de ser feita JUSTIÇA, e inaugurarmos, como novos procedimentos, o resgate da Alma
e da Honra Nacional.
Mas se o mafioso
CACHOEIRA, o bucaneiro CAVENDISH, o rasputin DIRCEU, o santo do pau oco,
DEMÓSTHENES, et caterva, saírem ilesos, salve-se quem puder!
Voltemos aos
questionamentos:
Como DILMA, a
técnica competente, a gestora centralizadora, idealizadora do PAC, permite que
uma empresa como a DELTA, amealhe tantas obras e movimente tantos recursos
públicos, sem questionamentos, sem fiscalização, sem os cuidados usuais de quem
contrata?
Para que servem os
órgãos de assessoramento e Inteligência, que não detectaram, não advertiram a
Ministra da Casa Civil, hoje Presidente? Ou será que o fizeram e foram
ignorados? Ou será que o lobby de JOSÉ DIRCEU falou mais alto? Ou será que
estou correto em falar de “Criminalização da Instância Partidária”? Ou será que
a expressão “os petralhas” cunhada por Reinaldo Azevedo, explica tudo?
Tenho certeza, por
minha experiência profissional que, CACHOEIRA, não constitui-se na maior ameaça
do crime organizado às Instituições. Mesmo considerando a enormidade do alcance
dos seus tentáculos, ainda não são “profissionais”. VIDE, uso do Clube do
Nextel e as subsequentes interceptações telefônicas.
Em tempo: sei que
há mais de três anos, órgãos de Inteligência já tinham denúncias contra
DEMOSTHENES TORRES, ligando-o ao crime organizado, desde seus tempos de
Secretário de Segurança de Goiás. Por que não agiram?
Logo, acredito, ao
término do caso CACHOEIRA, se, por milagre, a JUSTIÇA, for feita, com os
meliantes atrás das grades, com fortunas desviadas dos cofres públicos
recuperadas, com o desmantelamento desta estrutura criminosa, teremos novas
surpresas: gente mais competente e insidiosa, nas bordas do Poder, manejando
invisíveis cordéis. Gente realmente perigosa, cujo combate, será acima de tudo
uma decisão de Governo e uma necessidade do Estado.
Dois temas, em
minha opinião são mais escabrosos do que o affair CACHOEIRA/DELTA:
as suspeitas e
denúncias veladas de ação criminosa no mundo do petróleo, envolvendo ANP e
PETROBRÁS, incluindo rodadas licitatórias, concessões, contratações e
manipulação de dados técnicos.
Aparato de escutas
clandestinas no país, bem como ilicitudes técnico/legais do aparato oficial de
interceptação telefônica.
Por tudo,
estou certo de que, se não prevalecerem os “homens de Boa Vontade”, os
compromissados com o Bem-estar Pátrio, com o respeito às leis, com o interesse
do Povo Brasileiro, estaremos CHOCANDO O OVO DA SERPENTE e, no futuro, em meio
ao caos produzido, alguns proporão, tardiamente, uma COMISSÃO NACIONAL DA
VERDADE!
Pois é obvio que,
por falta de juízo ou má-fé, alguns apostam no dissenso, no confronto, no
dividir para governar. Gente que não quer Justiça, quer, sim, desfocar a
atenção popular para o passado, impedindo a análise do presente e a atenção com
o período mais corrupto de nossa História, com o avanço do crime organizado,
corroendo o Estado, comprometendo o Governo e aviltando a Nação.
Ao ver no cenário
nacional, senhores e senhoras já grisalhos, outrora jovens revolucionários,
hoje habilidosos manipuladores de maracutaias e crimes contra a nacionalidade,
lembro-me de meu pai, que ensinava: “Não respeito as cãs, porque os canalhas
também envelhecem!”.
JOÃO CARLOS BERKA