Reconstrução da brasilidade

A Soberania Nacional à globalização do crime, seguranças pública e privada, e a reforma penitenciária

Globalização do Crime

O Desafio do Próximo Milênio

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quarta-feira, 25 de julho de 2012

MIRAGENS DE FUTURO


“Prosseguiremos com os projetos prioritários de aparelhamento das Forças, sem deixar de valorizar os homens e as mulheres que tornam esses projetos possíveis. (…) O país com o qual sonhamos precisará cada vez mais de Forças Armadas equipadas e qualificadas para cumprimento de suas
funções”
(Presidente Dilma Rousseff)

A publicidade oficial vem aproveitando a técnica prospectiva para veicular propaganda política nos assuntos de Defesa.

Acenando com cenários futuros invariavelmente otimistas, tenta aliciar os quadros institucionais e a opinião pública em favor de uma política errática. Para isso, as estampas com as metas para além de 2020 recebem ilustração midiática de efeitos deslumbrantes.

Contudo, a realidade concreta do cenário atual é premente. No contexto da Defesa, destacam-se três limitações estratégicas vitais, que resultaram do descaso governamental para com a Segurança Nacional, a partir de 1995: os sistemas de armas estão sucateados, a logística geral é insatisfatória e a
remuneração do pessoal  militar, defasada.

O despreparo do País para enfrentar uma crise externa é notório. A falta de um programa sistemático de substituição das unidades navais faz a esquadra tender à extinção. A Força Aérea Brasileira não consegue sequer definir a nova tecnologia de suas aeronaves de caça. O equipamento de artilharia antiaérea do Exército ainda pertence à geração analógica. E a maior parte do armamento leve em uso já teve a vida útil ultrapassada. Além disso, há que se considerar a precariedade dos níveis de estoque de munição e a
manutenção cara e praticamente inviável  dos sistemas arcaicos.

A dimensão humana, herdeira das tradições históricas, sofre o impacto da desmotivação. A remuneração média do pessoal militar situa-se 44% abaixo da média da categoria governamental menos favorecida – a dos servidores públicos da administração direta. É prudente considerar que a descrença alimenta a indisciplina. E a perda de controle da tropa pode ser perigosa, com o ficou demonstrado no saque de Antuérpia, em 1576.

Ocorre que os objetivos futuros devem ser projetados no presente, podendo ser aferidos pelos respectivos indicadores. E as propostas reais do Poder Executivo têm deixado de honrar o compromisso propagado. Ao contrário dos discursos políticos, a elaboração do orçamento anual permanece inteiramente condicionada pelo  conceito de série histórica, instituído em 1995, que limita o teto financeiro das Forças Armadas e impede que sejam contemplados os grandes projetos de reequipamento.

A baixa prioridade atribuída à Defesa é incompatível com os anseios de projeção externa, sobretudo o relativo à intenção de conquistar uma posição permanente no Conselho de Segurança da ONU.

Portanto, o que demonstram os fatos é que o setor de Defesa marcha em progressão inexorável para um futuro cada vez mais degradado, sob o doce encantamento das miragens da propaganda.

Ante a expectativa de turbulências e incapaz de reverter a tendência declinante do PIB, o governo sacrifica a Defesa, enquanto justifica o desempenho pífio da economia com inócuos preceitos de uma vã “filosofice”:
“Uma grande nação não se mede pelo PIB, mas pelo que faz pelas suas crianças e adolescentes”. 


 Maynard Marques de Santa Rosa




O General Santa Rosa nasceu na vila de Canudos, atual cidade de Belém,
no Estado de Alagoas, e é oriundo da Arma de Infantaria, sendo aspirante da turma
de 1967. Foi promovido ao posto atual em 31 de março de 2006.
Além dos cursos regulares de formação e aperfeiçoamento, possui os de
especialização de Guerra na Selva (1969), Ações de  Comandos (1972) e
Operações em Montanha (1991).
Nos Estados Unidos da América, realizou o Curso de Política e Estratégia do
Army War College, em 1988 e 89.
Como Oficial Superior, serviu no Comando Militar da Amazônia (CMA), foi
instrutor da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), por seis
anos, e coordenador do Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do
Exército (CPEAEx), comandou o 11º Batalhão de Infantaria de Montanha, em
São.João d’El Rei - MG, foi chefe da Divisão de Contra-Inteligência do Centro de
Inteligência do Exército (CIE) e Assistente do Chefe do Gabinete e Subchefe do
Gabinete do Ministro do Exército.
Como Oficial General, comandou a 10ª Brigada de Infantaria Motorizada
(Recife/PE), foi 4º Subchefe do Estado-Maior do Exército (EME), comandou a
7ªRegião Militar / 7ªDivisão de Exército (Recife/PE), foi Comandante Militar do
Nordeste interino e Secretário de Política, Estratégia e Assuntos Internacionais do
Ministério da Defesa (MD). Atualmente, chefia o Departamento-Geral do Pessoal,
em Brasília-DF.
O Gen Santa Rosa possui inúmeras medalhas e condecorações,
destacando-se a Medalha Militar de Ouro com Passador de Platina, a de Serviço
Amazônico com duas castanheiras, as das Ordens do Mérito Militar, Naval,
Aeronáutico, Judiciário Militar, sendo a mais recente, a da Ordem Estadual do
Mérito Renascença do Piauí.
Serviu em 27 (vinte e sete) Organizações Militares ao longo de 48 (quarenta
e oito) anos de serviço, dentro e fora da Força, sendo 10 (dez) anos na Região
Amazônica. 
O Gen Santa Rosa é casado com a Sra. Luíza Philomena Gonçalves de
Santa Rosa e tem um único filho, Maynard Júnior.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

CHOCANDO O OVO DA SERPENTE

 
        A Presidente Dilma instalou a COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE, no intuito de apurar violações aos Direitos Humanos, perpetradas por agentes do Estado, no período compreendido entre 1946 e 1988.
Não vou me deter em tecer comentários ou análise sobre o tema e a iniciativa presidencial, já que este tem sido objeto de estudos e críticas pelos diversos segmentos da sociedade brasileira.
Mas o evento leva-me à reflexão de que estamos tendo oportunidade rara de passarmos o Brasil a limpo.
Neste domingo, o jornal de Brasília, Correio Braziliense, publicou material sobre o histórico e militância política da Presidente DILMA, bem como detalhes de sua prisão e torturas sofridas no cativeiro. DILMA não foi caso isolado, sequer foi o pior ou o mais ignominioso. Infelizmente, em nome de ideologias, muitos crimes foram cometidos, muitos psicopatas de todos os matizes e de ambos os lados, deram vazão aos seus instintos sádicos.
No quesito insanidade se equivaleram, tantos os que lutavam por suas ideias, contrapondo-se ao regime da época, quanto os agentes da repressão, incumbidos de dar-lhes combate. Idealistas, messiânicos, ou meros doentes, houveram de ambos os lados.
Dizem que a história sempre é contada pelos vencedores.
No caso brasileiro, ao que parece, este axioma não corresponde. Pois, se inicialmente, os que diziam combater a iniciativa de implantação do comunismo, levaram a melhor, obstaculizando os intentos dos “subversivos”, posteriormente estes mesmos, perseguidos, presos e torturados, chegaram ao Poder. E, suprema ironia, destituídos da ideologia mater, do Socialismo, depois da derrocada da União Soviética e do desmascaramento dos regimes similares. E a história recente brasileira sempre foi contada, pelos simpatizantes ou militantes do grupo derrotado pelas armas e vitorioso, posteriormente, nas urnas.
Não é meu intuito partir para o debate ideológico, mesmo porque tenho senso crítico, de que não sou qualificado para tanto. Meu objetivo é gerar reflexão sobre os rumos que a Sociedade Brasileira está tomando e incentivar “o Bom Combate”.
Primeiramente, digo sem titubear, como cidadão, de que a Presidente DILMA, tem a oportunidade de fazer a GRANDE ESCOLHA.
Nossa existência é determinada pelas escolhas que fazemos. A Presidente está a escolher entre uma Grande Estadista, que coroará sua trajetória de técnica e passará a História do Panteão dos Heróis Nacionais ou ficará reduzida ao pequeno papel de Mamma do PAC!


Se incentivar somente um acerto de contas ideológico com a história recente do país, buscando os CURIÓS ou ULSTRAs, da vida, e ignorar o descalabro do profundo desrespeito aos Direitos Humanos e aviltamento da nossa Soberania, por seu governo e apaniguados, estará jogando-se na lata de lixo da História.
Não quero desprezar o sofrimento daqueles que passaram pelos calabouços brasileiros, ou pelos vitimados pelos asseclas do regime militar. Sequer peço o esquecimento de seus familiares, nem tão pouco, que se coloquem debaixo do tapete, fatos importantes da história do país, para que possamos melhor nos conhecer, entender e nos posicionarmos no cenário das nações ditas civilizadas.
O que pretendo é que se dê a mesma importância dos descalabros de ontem aos descalabros de hoje. A verdade é Sempiterna. Os Valores da Nacionalidade não são tangidos ao sabor dos ventos ou pelas veleidades de iluminados condutores da Pátria.

Maldade é maldade. Mentira é mentira. Corrupção é corrupção, ontem, hoje e sempre.

Por isso, entendo que se, oportunisticamente, buscarmos somente um acerto de contas com meia dúzia de velhos, intentando tirar o foco do caos que vivenciamos e estigmatizar este ou aquele estamento, estaremos dando um tiro no pé, procrastinando as soluções que a situação exige; pois mesmo que seja difícil e complexo, é urgente o combate aos Malfeitos e Malfeitores de Hoje. Gente que acumpliciada ao poder nos joga na sarjeta da História, num descalabro moral, ético e social, nunca dantes visto neste país.
Ufanamos-nos de estarmos a construir a sexta economia mundial. Pretendemos assento no Conselho de Segurança da ONU e em nome de uma pretensa governabilidade, destruímos todos os valores de uma Nacionalidade. Arrebentamos com a Ética e a Moral. Prostituímos todo um povo, comprometemos nosso porvir. Nossas zelites corrompem nossos jovens com seu mau exemplo; nossos líderes políticos, religiosos e intelectuais, deseducam os jovens, sendo secundados neste mister pelos órgãos de comunicação e por uma mídia doente, cujos valores centram no culto a MAMON e EROS. Neste contexto, drenando as energias de um povo para a Economia, para a produção e o consumismo desenfreado, amarfanhando a Alma Nacional.

Amanhã, se não houver correção de rota, se não abandonarmos a conveniente omissão, seremos um País rico com um Povo escravo!

Destinado pelo primeiro mundo ao papel de fornecedor de alimentos e commodities seremos o dócil leitãozinho cevado para ser degustado, futuramente, no banquete das nações ricas.
Um povo fraco e sem valores e elites corruptas, jamais irão exercer nossa Soberania, jamais irão contrapor-se aos apetites do Capital Internacional.
E isto não é exercício de futurologia ou teoria conspirativa, basta ver entre nós os “quinta-colunas”, infiltrados, defendendo os interesses de seus parceiros externos; desde que seus apetites e veleidades sejam satisfeitos, que o Povo se exploda!
Por isso, gostaria de compartilhar reflexões minhas, fruto de vivência pessoal e da observação de meus contemporâneos . Acredito que estou em condições de abordar o tema, pelo meu passado, pelo meu presente, por minhas vivências e atitudes.
Quando a Presidente DILMA estava presa, ingressei no Departamento de Polícia Federal. Morava em Florianópolis, cursava o quarto ano de Direito, era professor em curso secundário e trabalhava na Secretaria da Fazenda do Estado de Santa Catarina.
Cursei a Academia Nacional de Polícia, em 1972. Fiz parte da primeira turma, concursada de Agente de Polícia Federal. Éramos chamados pelos antigos de “Sangue Novo”. Eram de minha turma o futuro diretor geral da Polícia Federal, VICENTE CHELOTTI, LAURO NOGUEZ, AROLDO BOSCHETTI SOSTER e outros tantos.
Permaneci na Polícia Federal até 1978, quando pedi exoneração. Na época era Agente, lotado do DOPS – Delegacia de Ordem Política e Social, da Superintendência do DPF, em Porto Alegre - Rio Grande do Sul.
Em 1973, exerci minhas funções na Academia Nacional de Polícia em Brasília. Fui instrutor auxiliar da cadeira de Investigações Criminais. Em 1974, após concurso seletivo interno, fui recrutado para ser colocado à disposição do Ministério das Relações Exteriores. O Itamaraty me designou como Agente de Segurança, para nossa embaixada em Montevidéu, Uruguai.
Na época, agiam na Argentina, os grupos armados ERP – Ejército Revolucionario Del Pueblo e os Montoneros. No Uruguai, os Tupamaros.
Nossa missão, na embaixada, restringia-se à Segurança da Chancelaria e eventualmente, às atividades ligadas à contra-inteligência, além de ocasionais participações, juntamente com a Polícia Uruguaia, na segurança do Embaixador.
Eu já tinha visitado o Uruguai, anteriormente, na condição de guia de turismo. Na época, encontrava-se em pichações nas ruas e nos banheiros de restaurantes, a estrela tupamara e a inscrição “vivan los tupas!”. Em 74, já como agente brasileiro, nos mesmos lugares, as inscrições mudaram: “mueran los tupas”!...
O que mudara?
Em seguida a minha chegada à capital uruguaia, matriculei-me no curso de Psicologia, da Faculdade de Filosofia, ligada à Universidad Católica de Chile. Na faculdade, estudei na mesma sala com a filha do presidente uruguaio, JUAN MARIA BORDABERRY, grande estancieiro e testa de ferro dos militares. Sua filha, JOSEFINA, ia para as aulas, acompanhada de quatroguardaespaldas, os agentes de Segurança da Presidência. O interessante, é que na mesma sala estudava comigo um padre, que, mas tarde vim, a saber, era tupamaro.
Os demais alunos, todos jovens, eram na sua maioria de esquerda, quando não militantes do Movimento Tupamaro.
Como era o único solteiro da embaixada e cursava faculdade, tive oportunidade de entrosar-me bastante com a juventude. Então comecei a entender certas coisas. Dentre elas, que o movimento tupamaro, essencialmente nacionalista em suas origens, após certo tempo, recebeu ajuda internacional, de elementos cubanos, chilenos, argentinos e até norte-coreanos. Gente que buscava a luta internacional contra o capitalismo, contra os militares, os estancieiros, mas que tinham pouco a haver com a alma uruguaia.
Se nos primórdios do movimento guerrilheiro, os tupamaros empreendiam ações espetaculares, que granjeavam o apoio popular, tais como o sequestro do presidente da UTE, empresa de energia e telefonia, e divulgavam suas negociatas com a ITT, e tomavam povoados como PANDO, fazendo a rádio local divulgar seu ideário e notícias, após a vinda dos mercenários estrangeiros, começaram os atentados a policiais que faziam ronda nas ruas, bombas em boates frequentadas por jovens da classe média, enfim, começaram a granjear antipatia do afável povo uruguaio.
Mas realmente meteram os pés pelas mãos, quando num assomo de coragem e burrice, encetaram três sequestros, que vieram mudar o rumo das coisas: sequestraram o agente da CIA, DAN MITRIONE, que já tinha estado no Brasil, mais precisamente, em BH, e o justiçaram.No comunicado, diziam os tupas, que MITRIONE, fora morto porque ensinava torturas aos órgãos de repressão uruguaios.
Em seguida sequestraram o embaixador do Reino Unido, GEOFFREY JACKSON, que tempo depois foi libertado, mediante pagamento de resgate. E, finalmente, sequestraram o cônsul brasileiro em Montevidéu, ALOISIO DIAS GOMIDE. Este diplomata, que conheci pessoalmente, não tinha nenhuma vinculação com o regime uruguaio, e sequer era expoente de nossa representação diplomática no país. Foi escolhido, por não ter nenhum aparato de segurança. Após longo cativeiro, também foi solto, mediante resgate pago pelas autoridades brasileiras, e com fundos também arrecadados por sua esposa em grande campanha televisiva no Brasil.
Estes três sequestros, somados a virulência dos atentados, tiveram dois efeitos adversos aos tupamaros: antipatia de parte da população e ajuda externa, com meios e homens para o combate à guerrilha. Principalmente os Estados Unidos e o Brasil, ajudaram no treinamento e fornecimento de meios às chamadas Fuerzas Conjuntas, que eram constituídas por elementos das três armas militares e polícia.
A maioria das lideranças tupamaras, ou foram mortas, ou encarceradas no Presídio de Punta Carretas, uma masmorra centenária e de péssima fama. Apesar das severas condições de segurança, trinta e poucos tupamaros lograram fugir do Presídio pela rede de esgoto, que desembocava na praia, próxima dali. Hoje este presídio foi convertido num elegante shopping.
Neste ano de 1974, o Movimento Tupamaro, aplastado pela repressão, reorganizou-se numa entidade nova e desconhecida: UAL – Union Artiguista de Libertacion. Recomeçaram os atentados a bombas.
Neste clima, ao buscar um local para colocar meu cachorro, um pastor alemão, soube pelo dono de uma parrilla, próxima a meu apartamento no bairro de Pocitos, que havia um brasileiro, que distribuía produtos suínos e que tinha uma chácara perto de Montevidéo.
Dias depois fui apresentado ao brasileiro, um baiano, falador e simpático. Logo se colocou a disposição para levar meu cachorro para sua chácara que ficava na localidade de SOCA, municipalidade de PANDO.


Seu nome: ALFREDO MAGALDI BRANDÃO.
Nem contei sobre minhas funções na embaixada, e inicialmente, tão pouco ele, falou-me de seu passado. Com o correr do tempo e mais de um quilo de sal compartilhado, inteirei-me que era exilado, fora sargento da aeronáutica e participara do levante dos sargentos em Brasília.
Brandão, contou-me que estivera preso, em vários lugares, inclusive num navio e na Ilha das Flores. Depois, de uma libertação provisória, asilara-se na embaixada do Uruguai no Rio de Janeiro. Depois, a vinda para o Uruguai, onde fora recepcionado por LEONEL BRIZOLA, que já estava lá, juntamente com JANGO e outros, há algum tempo.
Junto com BRANDÃO vieram outros militares, notadamente da aeronáutica e da marinha.
Brandão, que trabalhara sete anos com Brizola, contou-me inúmeras histórias do mesmo. Notava-se que tinha uma grande admiração pelo político, pelo estadista, mas nutria profunda aversão pelo Homem Brizola. Considerava-o mesquinho, caudilho e traiçoeiro com os amigos.
Brandão esteve em Cuba e acompanhou Che Guevara, num encontro no balneário de Piriápolis, quando houve o encontro do guerrilheiro argentino/cubano com Brizola. Quando Brizola desistiu do caminho do retorno ao Brasil por meio de atividades armadas, Brandão passou a administrar uma estância e um tambo (instalação voltada à ordenha de gado leiteiro). Posteriormente, depois de um desentendimento com Brizola, Brandão foi trabalhar num frigorífico, distribuindo, produtos suínos e embutidos. Nesta fase que o conheci.
Por seu intermédio conheci vários exilados. Nenhuma estrela. Somente alguns coitados que viviam à míngua, por não terem nenhum vínculo com o PCU, o Partido comunista Uruguaio, ou com esquemas brasileiros. Dentre eles me chamou a atenção, um marinheiro, que no Brasil, não tinha nenhuma militância e que compareceu ao Comício do Automóvel Clube. Teve notícia que os exilados recebiam uma ajuda da ONU, nos primeiros tempos, e tomado pela falta de juízo e espírito de aventura, fez de tudo para ser preso e posteriormente foi para o Uruguai. EmMontevidéu depois de um tempo, ajudado pela família que ficara no Brasil, montou um pequeno restaurante, EL SARGO, onde exilados brasileiros e esquerda local festiva reunia-se.
Ao ver a agrura de alguns, preparei um relatório, que encaminhei ao Brasil, através do adido militar. Nele referia-me a fantasmas que o regime, mantinha no exílio, como exemplo para os futuros candidatos à subversão.
Jamais tomei alguma atitude movido por comprometimento ideológico, mesmo porque, estava em situação privilegiada para observar a conduta dos dois lados da moeda. Somente me movia o drama humano, que viviam várias famílias humildes, sem preparo profissional, e ainda por cima, fora de seu país.
Tomei um esporro. Mandaram-me ficar quieto, esquecer o assunto e afastar-me de BRANDÃO.
Quatro meses depois, fui surpreendido, pela comunicação do DPF, que deveria voltar ao Brasil. Dias antes tinha sido confirmada a prorrogação de meu serviço na embaixada, por mais um ano.
Fora denunciado por um “colega”, o qual colocou em sua missiva ao DPF. que eu estava colocando em risco a embaixada.
Voltei a Brasília, onde respondi sindicancia interna, a qual durou quase um ano. Neste período fui afastado das funções policiais e colocado como arquivista no departamento do Pessoal. Neste período, sofri tanto o estigma de perigoso, traidor, como calúnias do tipo, ser instrutor de tortura no Uruguai, amante de Neusinha Brizola, drogado e outras coisas mais.
Finalmente fui inocentado, mas não me dei ao desfrute de pedir indenização do Governo, ou reparação por danos morais.
Guardei no peito, e cresci como homem. Amadureci sabedor de que as instituições, países, não tem caráter, moral, ou são intrinsecamente bons ou maus. Homens, investidos de cargos públicos é que dão a verdadeira dimensão de seu mister.
Em 78, pedi exoneração, pois estava farto das mediocridades de uma Polícia que ao invés de constituir-se no baluarte da cidadania e tornara-se guarda pretoriana do Poder.
Saí, graças a Deus, sem esqueletos no armário, sem fantasmas a assombrar meu sono, sem nunca utilizar minha carteira funcional como gazua ou uma arma para mostrar virilidade.
Claro que conheci e trabalhei com muita gente honesta, corajosa e vocacionada. Gente para quem Polícia era Polícia e Bandido era Bandido!
Mas, via de regra, os cordéis manipulavam marionetes, desde Brasília. Assim, lamentando deixar para trás os sonhos de contribuir para a Segurança e Justiça, voltei para área empresarial.
O mundo dá muitas voltas, e anos após, instado por BRANDÃO, que já fora anistiado e trabalhava no BANERJ, em Porto Alegre, e necessitando do apoio do então governador BRIZOLA para tratamento médico de meu filho mais velho, acabei filiando-me ao PDT, na cidade de Joinville, em Santa Catarina. Tempos depois, concorri ao cargo de Prefeito daquela cidade. BRIZOLA apoiou-me, inclusive participando do Programa eleitoral comigo.
Finalmente, quando iniciou seu namoro com FERNANDO COLLOR por puro oportunismo, desfiliei-me do partido e larguei a militância político-partidária.
Na primeira campanha do LULA a presidente, aquela do LULA-LÁ, subi palanque, integrando a Frente Brasil Popular. Votei no LULA, nas três primeiras eleições que ele disputou para o cargo. Não era petista, mas sentia simpatia pelo ideário do partido.
No segundo mandato de FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, fui contratado para auditar a Segurança da ANP – Agência Nacional do Petróleo, e implantar um programa de Segurança Participativa.
Ao executar meu trabalho deparei-me com verdadeiras barbaridades. Ação acintosa do crime organizado no ramo do Petróleo, e suas injunções dentro da Agência.
Oportunamente vou tratar deste assunto, que, ultimamente tem sido ignorado tanto pelo governo, quanto pela mídia.


Quando LULA ganhou as eleições, no primeiro turno de SERRA, fiz um relato a um amigo do presidente eleito, o ex-deputado e advogado de inúmeros presos políticos, SIGMARINGA SEIXAS. Este, na presença de duas testemunhas, impressionado com os dados que lhe passei, disse que levaria o assunto diretamente ao presidente. E que eu deveria fazer o mesmo com JOSE DIRCEU e LUIS GUSHINKEN, homens fortes do partido, e que com LULA compunham aTROICA, do PT.
Pois bem, SIG, como é chamado, relatou ao presidente eleito o assunto e eu repassei o relatório para SWEDENGER BARBOSA, assessor de JOSE DIRCEU, na CASA CIVIL, para que o entregasse ao Ministro. E, num voo para Campinas, entreguei, pessoalmente para Ministro LUIS GUSHIKEN.
Quando IDELI SALVATTI, foi eleita senadora, pelo estado de Santa Catarina, e como já a conhecia de Joinville, entreguei-lhe o mesmo texto, na Assembleia Legislativa do Estado, no dia em que estava arrumando suas coisas para mudar para Brasília.
Pois bem, ao que eu saiba, nada foi feito para obstaculizar a ação do Crime Organizado no Setor. O que foi feito, sim, foi o aparelhamento partidário da Agência, primeiro por elementos do PC do B, e depois pelos companheiros.
Antes, esta agência reguladora constituía-se num feudo de FHC, primeiramente gerido pelo seu ex-genro, DAVID ZILBERSTAJN, e posteriormente por seu amigo, o embaixador SEBASTIÃO DO RÊGO BARROS.
Não vou entrar aqui num cotejamento das picaretagens e ilicitudes perpetradas, até chegarmos no PRÉ-SAL, oportunamente volto ao assunto. O que queria me referir, é que a partir dali, começou meu desencanto com o Grande Líder e seus seguidores.
Hoje, velho e escaldado, estou seguro de que Ideologia é MERDA!
Assim como no século passado, ficou aceita a ideia de que as religiões eram o ópio do Povo, nos anos recentes este papel foi desempenhado pelas distintas ideologias, nos mais diversos quadrantes do globo.
Estive na RUSSIA, várias vezes, a partir do governo de YELTSIN, e tive oportunidade de privar da amizade de inúmeros burocratas, cientistas, militares e homens de Inteligência, formados e forjados no antigo regime soviético. Acompanhei a transformação de hábitos e atitudes do povo russo. Vi a instalação dos primeiros Mc DONALD’s e PIZZA HUT; vi o desfile de carrões conduzidos por mafiosos, e babuskas vendendo meia dúzia de limões nas ruas ou no metrô. Vi soldados, fardados, embriagados na Rua ARBAT e nas imediações do KREMLIN. Vi um povo que viveu setenta anos sob o tacão da ideologia, aplastado por uma NOMENKLATURA abastada e corrupta, que curtia suas datchas, balneários exclusivos, sedento por mudanças, abeberar-se no que há de pior no capitalismo: o consumismo insano.
Estive em ANGOLA, cujo regime socialista foi apoiado pelo regime militar brasileiro e vi pobreza por todo lado, subdesenvolvimento rodeando ilhas de prosperidade gerenciadas pela SONAGOL (Petróleo) e pela ENDIAMA (Diamantes), onde a família do líder do MPLA, JOSE EDUARDO DOS SANTOS, socialista, apoiado pelos cubanos e russos, construiu um império em sociedade com a multinacional brasileira ODEBRETCH.

Nesta quadra da vida, chego à conclusão de que Ideologia não é garantia de BEM ESTAR, JUSTIÇA SOCIAL, DIREITOS HUMANOS, de PAZ, de PROSPERIDADE.
As ideias, são prostitutas, provam-no os SOFISTAS. E hoje, em nosso meio político, estes abundam.
E de todos os matizes, de distintas origens, diversos estratos. Observem o discurso de LULA, COLLOR, AÉCIO NEVES, FERNANDO HENRIQUE e, com sinceridade e isenção, digam se não são todos farinha do mesmo saco?
E sua conduta? Nada mais igual do que um direitista na oposição quanto um esquerdista no Poder!
Mas vamos ao que interessa: nossa responsabilidade coletiva no sentido de impedirmos a hecatombe social que se avizinha em nosso país.
A Presidente DILMA, tem enorme responsabilidade nisto, mas todos os segmentos devem dar sua contribuição.
Apesar do assistencialismo do Estado, das diversas bolsas, dos inúmeros programas de inclusão social, ainda temos resquícios de Belíndia, ainda temos pobreza absoluta, analfabetismo, saúde e segurança caóticas, sistema carcerário dantesco, polícias que ainda deixam a desejar, educação rarefeita e, o que é pior: uma classe política abjeta.
Que as raras e honrosas exceções, não se ofendam, mesmo porque, por inércia e omissão convivem com o que há de pior em termos de representatividade política.
Morando em Brasília, ao olhar as cúpulas do Congresso, volta e meia evoco a imagem bíblica da destruição de SODOMA E GOMORRA. E fico a pensar, quanto ainda falta para que o TODO PODEROSO, perca a paciência e tome uma atitude contra este de ninho de mafagafos.
Ali tem mentira? Tem. Tem perjúrio? Tem. Tem prostituição? Tem. Tem drogas? Tem. Tem quadrilhas organizadas? Tem. Tem corrupção ativa e passiva? Tem. Existem ladrões, falsários, estupradores, molestadores de crianças, homicidas, agiotas, rufiões, prostitutas e prostitutos? SIM!
Mas o Congresso, não é um câncer localizado. É o extrato da sociedade brasileira, esta que estamos desconstruindo, diuturnamente, por ação ou omissão. E a responsabilidade é de todos.
Ao assistir as sessões da CPMI, do Cachoeira, senti vergonha de ser brasileiro, e lamentei ser um velho cheio de obrigações ainda com a prole.
É repulsivo. Não deveria passar ao vivo. Deveria ser indicado somente para as madrugadas, junto aos programas hot ou com os missionários televisivos. Aos jovens devia ser proibido. É imoral, ridículo e repugnante.


Ver MARCIO THOMAZ BASTOS, com cara de vestal impoluta ao lado de CARLINHOS CACHOEIRA, tem gerado muitos questionamentos no sentido de que ficou mal um ex-ministro da Justiça estar advogando para um capo do crime organizado.
Estão equivocados: THOMAZ BASTOS está no lugar certo, de consiglière, o rábula que assessora e constitui-se no alter-ego do boss.
Não devia, sim, nunca ter sido Ministro da Justiça. Mas para melhor sabermos do que estamos falando, talvez devêssemos esclarecer uma dúvida antiga, para melhor conhecermos o caráter deste senhor: porque MARCIO THOMAZ BASTOS indicou o Delegado aposentado do DPF, PAULO LACERDA, para a direção geral da POLÍCIA FEDERAL, sendo que este estava trabalhando há bastante tempo no gabinete senador ROMEU TUMA? E quem conheceu TUMA, sabe do que estou falando.
Alguma vez, MARCIO THOMAZ BASTOS foi advogado de algum processo cuja autoridade processante era PAULO LACERDA? Donde afinidade, qual compromisso?
Estes questionamentos podem parecer impertinência ou espírito de fofoca, mas mais adiante vamos ver como procedem.
Ao ver ANTONIO CARLOS DE OLIVEIRA CASTRO, o KAKAI, defendendo DEMÓSTHENES TORRES, e pedindo a anulação das provas obtidas por interceptação telefônica, ou LUIS CARLOS ALCOFORADO, defendendo AGNELO QUEIROZ e sua casinha, ao ver deputado, extasiado, dizendo que AGNELO, entrou Anão e saiu um Gigante, da CPMI, ao ver quase que todos os presentes aplaudirem entusiasticamente, e a mídia, incensar que AGNELO “saiu-se bem na CPMI”, é inevitável lembrar-se do discurso de CÍCERO, interpelando CATILINA:
O TEMPORA! O MORES ! ...
São tão caras-de-pau, tão cínicos, que reduzem os questionamentos a estes sacripantas, à aquisição de casas. Como se não houvesse os contratos com a DELTA, Goiás, dentre eles 2.000 veículos para a Secretaria de Segurança.
Ou no caso do DF, o beato AGNELO, “soldado do passo certo”, o eterno injustiçado, no Ministério dos Esportes, na ANVISA, e agora no governo do DF, numa relação mau explicada com soldado JOÃO DIAS, cuja conduta e patrimônio, merecem ampla investigação.
Como AGNELO explica a saída de JOÃO MONTEIRO NETO, chefe do SMLU, assim que começou a Operação Montecarlo?
Enfim, a OPERAÇÃO MONTECARLO, veio colocar em cheque as intenções do governo, sua credibilidade, a seriedade do Judiciário e a competência Policial. Da classe política, nada se espera.
Por outro lado, o iminente julgamento no STF, do MENSALÃO, vem por a prova, tanto os magistrados, quanto o esquema de manipulação da JUSTIÇA, adequando-a aos interesses dos poderosos e aos amigos do Rei.
Se houver, independência, lisura, correção, transparência, então, são grandes as chances de ser feita JUSTIÇA, e inaugurarmos, como novos procedimentos, o resgate da Alma e da Honra Nacional.
Mas se o mafioso CACHOEIRA, o bucaneiro CAVENDISH, o rasputin DIRCEU, o santo do pau oco, DEMÓSTHENES, et caterva, saírem ilesos, salve-se quem puder!
Voltemos aos questionamentos:
Como DILMA, a técnica competente, a gestora centralizadora, idealizadora do PAC, permite que uma empresa como a DELTA, amealhe tantas obras e movimente tantos recursos públicos, sem questionamentos, sem fiscalização, sem os cuidados usuais de quem contrata?
Para que servem os órgãos de assessoramento e Inteligência, que não detectaram, não advertiram a Ministra da Casa Civil, hoje Presidente? Ou será que o fizeram e foram ignorados? Ou será que o lobby de JOSÉ DIRCEU falou mais alto? Ou será que estou correto em falar de “Criminalização da Instância Partidária”? Ou será que a expressão “os petralhas” cunhada por Reinaldo Azevedo, explica tudo?
Tenho certeza, por minha experiência profissional que, CACHOEIRA, não constitui-se na maior ameaça do crime organizado às Instituições. Mesmo considerando a enormidade do alcance dos seus tentáculos, ainda não são “profissionais”. VIDE, uso do Clube do Nextel e as subsequentes interceptações telefônicas.
Em tempo: sei que há mais de três anos, órgãos de Inteligência já tinham denúncias contra DEMOSTHENES TORRES, ligando-o ao crime organizado, desde seus tempos de Secretário de Segurança de Goiás. Por que não agiram?
Logo, acredito, ao término do caso CACHOEIRA, se, por milagre, a JUSTIÇA, for feita, com os meliantes atrás das grades, com fortunas desviadas dos cofres públicos recuperadas, com o desmantelamento desta estrutura criminosa, teremos novas surpresas: gente mais competente e insidiosa, nas bordas do Poder, manejando invisíveis cordéis. Gente realmente perigosa, cujo combate, será acima de tudo uma decisão de Governo e uma necessidade do Estado.
Dois temas, em minha opinião são mais escabrosos do que o affair CACHOEIRA/DELTA:
as suspeitas e denúncias veladas de ação criminosa no mundo do petróleo, envolvendo ANP e PETROBRÁS, incluindo rodadas licitatórias, concessões, contratações e manipulação de dados técnicos.
Aparato de escutas clandestinas no país, bem como ilicitudes técnico/legais do aparato oficial de interceptação telefônica.
 Por tudo, estou certo de que, se não prevalecerem os “homens de Boa Vontade”, os compromissados com o Bem-estar Pátrio, com o respeito às leis, com o interesse do Povo Brasileiro, estaremos CHOCANDO O OVO DA SERPENTE e, no futuro, em meio ao caos produzido, alguns proporão, tardiamente, uma COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE!
Pois é obvio que, por falta de juízo ou má-fé, alguns apostam no dissenso, no confronto, no dividir para governar. Gente que não quer Justiça, quer, sim, desfocar a atenção popular para o passado, impedindo a análise do presente e a atenção com o período mais corrupto de nossa História, com o avanço do crime organizado, corroendo o Estado, comprometendo o Governo e aviltando a Nação.
Ao ver no cenário nacional, senhores e senhoras já grisalhos, outrora jovens revolucionários, hoje habilidosos manipuladores de maracutaias e crimes contra a nacionalidade, lembro-me de meu pai, que ensinava: “Não respeito as cãs, porque os canalhas também envelhecem!”.

JOÃO CARLOS BERKA