Dados do GDF nos dão conta de que hoje Brasília conta com quase 100 condomínios regularizados e mais de 500 irregulares. De acordo, também com estes dados um entre quatro brasilienses vivem em condomínios.
Qualquer
ser racional questiona a atual situação destes aglomerados humanos. Iniciado o
loteamento ou fracionamento, ou mesmo a invasão, corre o Estado a instalar luz
e água. Em seguida, ligeirinho, todos os tributos são cobrados.IBAMA e GDF
fiscalizam arruamentos e edificações.
No
período pré-eleitoral esta massa populacional não é ignorada. Pelo contrário,
fagueiros e sestrosos os candidatos fazem um périplo pelos diversos
condomínios, arrebanhando votos em troca de promessas de agilização dos
processos de regularização.
Não
bastante, picaretas de todos os naipes, corretores, donos
de imobiliárias, burocratas e mesmo senador, correm a cobrar o naco do business da regularização.
Este
assunto constitui-se um dos grandes escândalos de Brasília. Os partidos
alternam-se no Poder local e a prática é sistêmica e sistemática. A picaretagem
com terras e a manipulação do PDOT – Plano Diretor de Ordenamento Territorial,
com adequações a interesses espúrios, com a manipulação de gabaritos e
destinação de glebas, tem se constituído numa das grandes mazelas nestas plagas
do Planalto Central.
Mas o
enfoque que queremos dar é diferente:A questão da Segurança dos Condomínios e a
influência na Segurança Pública do Distrito Federal é o objetivo desta
abordagem.Vejamos:
Há
muito que é política do GDF eximir-se da responsabilidade da Segurança Pública
nos condomínios. Sob alegações alternadas de que falta efetivo, ou que estes
aparelhos residenciais constituem-sepropriedade privada, tanto a Polícia
Militar quanto a Civil, não circulam dentro dos condomínios.
Assim,
ficam os mesmos, encarregados da própria segurança, recorrendo a estruturas
orgânicas e/ou terceirizadas.
Via regra, recorrem ao mercado da
utilização de porteiros, vigilantes e vigias. Ora, se no âmbito da Segurança
Bancária, onde há fiscalização da Polícia Federal, onde o sindicato da
categoria está mais presente, onde as cláusulas dos acordos coletivos de
trabalho são mais efetivos, a situação é complicada, com elementos
despreparados, mal recrutados e mal formados, no segmento condominial a
situação é mais calamitosa.
Além dos efetivos de vigilância
serem, quase sempre despreparados para a função, os mesmos, salvo honrosas
exceções,são conduzidos por pessoas sem formação profissional. Quase sempre
acumulam as funções de gestores administrativos ou operacionais (limpeza,
conservação, etc.) com a chefia da segurança.
Quanto
ao aporte tecnológico, os condomínios repetem o usual no restante das cidades :tecnologias
ultrapassadas ou inócuas, disponibilizadas por empresas sem maiores
compromissos com a segurança dos clientes : são meros vendedores de
quinquilharias.
Claro
que existem saudáveis exceções, mas estas são ignoradas em nome do mercado, ou
melhor, na leitura equivocada do mesmo – menor preço!
Qual é
o cenário? Lembrando sempre que nos referimos à grande maioria e não aos poucos
exemplos que destoam do quadro geral.
A
expressiva maioria dos condomínios não possui o perímetro bem delimitado, ou
protegido. Muitos são limitados por áreas de preservação ambiental, impedindo o
cercamento ou a instalação de equipamentos de proteção do perímetro.Em áreas de
relevo acidentado são proibidas edificações que situem-se em determinado grau
de elevação, impedindo a construção de torres-vigia, mirantes ou simples
observatórios.As portarias, cuja existência tem sido objeto de questionamento
do poder público, constituem-se talvez no único aparato com destinação precípua
à segurança das instalações. Mesmo assim, a maioria não obedece a critérios
técnicos do conceito de securityby design,
isto é ,adequação da arquitetura, na fase de projetos, aos reclames da
necessidade de segurança. Obedecido este simples critério, tem-se a otimização
da segurança como um todo com a concomitante redução de gastos com periféricos eletrônicos
o eletro-mecânicos.
Os
controles de acesso são ineficazes, seja por condições técnicas, seja por
incúria da segurança, seja por ação ou omissão de moradores avessos a qualquer
tipo de controle.A vigilância, normalmente é executada por sistema de rondas,
motorizadas ou não. Também este quesito é insatisfatório. Raros são os
condomínios que exercem controle apurado sobre a observância das normas de
vigilância.
Óbvio
que neste cenário negativo, surgem ilhas de eficiência e as exceçõessomente
confirmam a regra.
Que
tipos de ocorrência se contrapõe à imagem de segurança dos
condomínios?Certamente que tudo que ocorre fora dos condomínios, ocorre, também
dentro dos mesmos. Ocorrem furtos, estupros (raros), tráfico de drogas,
pedofilia, voyeurismo, agressões, etc.Porém um tipo de incidência tem chamado a
atenção : invasão de domicílio : tem
condomínio que num período de seis meses teve mais de trinta furtos a
residências!
Curiosidade:
na maioria das residências furtadas, somente foram levados aparelhos
eletrônicos, mais especificamente, televisões e aparelhos de som e vídeo.E este
fenômeno tem se repetido em diversos condomínios, por todos os quadrantes do
Distrito Federal. E isto é sintomático: via de regra é indicativo de furto para
manutenção de vício de atravessadores de droga que consomem mais do que deviam
e buscando saldar seus débitos com o traficante, recorrem a furtos de objetos
facilmente aceitos por receptadores.
O
tráfico e consumo de drogas correm soltos. E não é somente garotada
adolescente, muitos circunspectos senhores grisalhos, remanescentes da Época de
Aquário, dão seus pitacos e cafungadas, em público, sem constrangimento, e
protegidos por umalei de silêncio,
tácita, que protege traficantes, passadores e usuários!Inúmeras denúncias à
polícia, sem êxito. Raramente a polícia, comparece, e quando o faz normalmente
é para periciar residência alvo da ação de meliantes.
Um
fato preocupante que tem ocorrido é a atuação, esporádica, de policiais, da
ativa, sendo contratados para prestarem serviço de vigilância; além de ilegal e
irregular, pode descambar para a criação das indesejáveis milícias, que cedo ou tarde integrarão o crime organizado.
Mas o
mais preocupante, e o que motiva esta abordagem é o tráfico de drogas. Tendo um
mercado cativo, à mão, sem risco de perseguição policial e com uma população
abundante e com bom nível aquisitivo, têm-se as condições ideais para gerar uma
estufa da criminalidade, pois transformando alguns condomínios em entreposto da
droga, podem espraiar-se por todas as cidades do DF, com mais segurança.
Ao
analisar vários condomínios, com a finalidade de elaborar diagnóstico de
Segurança, lembrei-me das cidades-refúgio do Antigo Testamento da Bíblia, onde
homicidas involuntários refugiavam-se para fugir da Lei de Talião.
Alguns
elementos mais antigos do estamento policial do DF, dizem que há muitos anos
atrás, era entendimento da cúpula policial de que era necessário deixar alguns
territórios para a criminalidade homiziar-se, evitando assim que atuassem
massivamente no centro e trazendo o conflito para áreas urbanas elitizadas e
priorizadas por uma Política de Segurança equivocada.
Não
acredito. Acredito mais em incúria ou comprometimento de certos segmentos
policiais com o crime organizado.
Porém,
o mais importante é contribuir com ideias e atitudes que possam responder às
necessidades de mais Segurança da população.
Sugiro
à Secretaria de Segurança do DF, que procure, em parceria com a iniciativa
privada, estudar o tema e através de grupo técnico de trabalho, sem
politicagem, estabelecer uma política de segurança para os condomínios. Esta
postura não somente traria uma diminuição dos níveis críticos de Segurança,
melhorando as estatísticas, mas também traria dividendos políticos para os
governantes que abraçarem esta causa.
Um dos
problemas enfrentados por inúmeros síndicos ou comissões de segurança dos
condomínios, remete ao dilema de implementar projetos de segurança e não onerar
demasiado os condôminos. Quase sempre as taxas cobradas mal dão para honrar os
compromissos com folhas de pagamento de funcionários e uma ou outra obra que se
faz necessária à conservação e manutenção destes aglomerados urbanos.
Por
isso seria de bom alvitre o estudo de um projeto-piloto, que contemplasse um
condomínio, constituindo-se laboratório para os demais, somando os esforços do
poder público e da iniciativa privada.
Uma ideia
que talvez merecesse ser estudada era trazer o Banco de Brasília para exercer
seuprotagonismo como instrumento de politica social do DF. O Banco, assessorado
por equipe técnica, aportaria oinstrumental tecnológico, sob a modalidade de leasing,
e/ou como agente financeiro de verbas da União a fundo perdido, e
expandindo seu cardápio de serviços, faria seguro pessoal, saúde, de
residências, seria o gestor financeiro do condomínio, etc.
Tenho
certeza de que somando esforços, governo e população, chegarão a bom término na
resposta a este desafio, na busca de bem estar dos brasilienses.
João
Carlos Berka
Consultor em Segurança








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